Inspira-te com… Emma Crabtree

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Em 2010 eu pertencia a um grupo do LinkedIn chamado “Women in Portugal”, no qual vi uma publicação de uma tal Emma Crabtree que, pela assinatura, morava a menos de 2km de mim. Fiquei de imediato intrigada pelo perfil dela: inglesa, Assistente Virtual (o que é isso?), e a minha vizinha!

“Uma estrangeira na minha vila e eu não a conheço? Tenho de fazer algo!”. Mandei-lhe uma mensagem, e, alguns dias depois, ela convidou-me a ir jantar a casa dela. O meu marido (namorado na altura) e eu aceitámos o convite, e lá aparecemos nós, com uma garrafa de vinho e um queijo na mão, sem nunca antes nos termos visto!

É claro que o jantar foi longo, as partilhas mais do que muitas, e a Emma, com a sua simplicidade brilhante, e sem dar por isso, inspirou-me a mudar de rumo e a tornar-me Assistente Virtual. Animou-me nos momentos de crise, apoiou-me nos primeiros passos e esteve sempre disponível para ouvir e responder as minhas dúvidas sobre esta profissão.

A Emma é assim: alguém que surpreende pela confiança que inspira, pela tranquilidade com que faz as coisas mais difíceis, pela forma como equilibra uma preenchida vida profissional, internacional e corporate, com a paz dos longos passeios com o Teddy pelos campos de Condeixa.

Obrigada, Emma, por seres pioneira da AV em Portugal; por partilhares o teu risotto naquela noite, e a tua experiência e aprendizagens comigo, e… agora também na Academia!

Como surgiu o teu interesse na Assistência Virtual?

Em 2006, acabava de mudar-me a Portugal e não falava português. Não iria conseguir trabalho nem num supermercado, por isso questionei-me “O que vou fazer com a mina vida?”. Vi um artigo numa revista em que se falava da profissão de Assistente Virtual, e pensei “Eu posso ser AV!”.

Quais foram os primeiros passos que deste para te tornares AV?

Comprei um computador e perguntei à minha mãe se tinha algum trabalho que pudesse fazer por ela. Peguei na minha agenda e comecei a ligar a contactos que tinham negócios e a outros amigos, a pedir conselhos sobre o tema. Fiz um site (horrível), imprimi uns cartões de visita e meti-me no carro. Fui aos pequenos-almoços do BNI em Coimbra, e viajei até Lisboa, Porto e Aveiro para conhecer pessoas. Mas a realidade é que Portugal e os portugueses ainda não estavam prontos para fazer outsourcing.

Os primeiros anos foram muito difíceis. Queria trabalhar com negócios portugueses e por isso posicionei-me como “a falante nativa de Inglês”, que estava disponível para falar e escrever nessa língua. Infelizmente, a mentalidade da época era “se eu não te vejo não escritório, é porque não estás a trabalhar”.

No entanto, todo o networking que estava a fazer no LinkedIn começou a dar resultados, comecei a ter interessados dos EUA, países nórdicos e uma consultora americana sedeada em Portugal. Trabalhei como parte de uma equipa de consultoria em coaching britânica e na equipa financeira de uma empresa do Dubai, além de trabalhar para empreendedores.

Foi quando assinei a minha primeira avença de 400€/mês que soube que eu era de facto capaz de ter sucesso como Assistente Virtual!

Como chegaste à definição do teu portfólio de serviços?

Eu sabia que era boa a fazer suporte. Sabia como deixar outras pessoas bem vistas. Sabia apoiar as pessoas que precisavam de apoio. O tipo de trabalho que faz com que os escritórios funcionem e as pessoas estejam onde devem estar. Conheço bem a sensação de frustração quando as pequenas coisas não funcionam. Ser capaz de assegurar o funcionamento das pequenas coisas, a tempo, era aquilo que eu fazia de melhor.

Comecei com um serviço de atendimento de chamadas, mas soube rapidamente que aquilo não era para mim. Quando fiz parte da equipa da empresa de consultoria em coaching entrei em contacto com outras Assistentes Pessoais e com Coaches que precisavam de apoio administrativo.

No geral, os meus serviços agora incluem o on boarding e tomar conta de clientes, gestão de email e também serviços de revisão de texto. Adoro criar newsletters e assessorar sobre o conteúdo nas redes sociais.

Qual é a forma que mais gostas de te relacionar com o teu público?

Interagir com as pessoas, gostemos ou não, passa pelo online. Na atualidade, raramente apareço em eventos de networking em Portugal, mas quando comecei tinha mesmo de ir, uma vez que na altura não havia grandes alternativas. Uso muito o LinkedIn porque é ai que os meus clientes estão. Estou no mercado B2B, é mais fácil ser visto e ouvido no LinkedIn do que noutras plataformas. Desde o início, 90% do meu negócio provém de recomendação dos meus clientes.

Qual foi a maior dificuldade e como a ultrapassaste?

A nossa mudança em 2009 trouxe grandes desafios, mas tive a incrível sorte de encontrar a Marta na primavera de 2010. Pouco depois ela também atravessou uma fase de encruzilhada profissional. Gosto de pensar que eu inspirei a sua mudança de carreira, o momento “a-há” dela, já que era evidente que também ela podia ter sucesso como AV. Graças à Marta conheci pessoas incríveis e inspiradoras, desenvolvi a minha rede de contactos em Portugal e fiz amigos para a vida.

Tal como acontece a muitos AV, encontrar o primeiro cliente pode ser difícil. E encontrar novos clientes também não é fácil. Por outro lado, arranjar motivação para sair da nossa zona de conforto e brilhar à frente de terceiros supõe também muitas vezes um grande desafio.

Explicar o que faço e como o faço foi difícil até há pouco tempo. 

Estabelecer barreiras com clientes e com os meus pais (se trabalhas a partir de casa parece que estás sempre disponível), é algo que tive de aprender a gerir desde o início e uma luta com a qual ainda me debato de vez em quando. 

Que caraterísticas são precisas para ser AV?

Eu sou organizada, pontual, de confiança. É preciso ser tenaz, empático, pro-ativo e ter a capacidade de entender rapidamente os negócios dos clientes.

Um conselho que podes dar a quem está a começar

Recorre aos teus amigos e família para serem os teus primeiros clientes e darem testemunhos. Desenvolve um perfil consistente no LinkedIn. Cria a tua rede e fomenta a relação com um grupo de pessoas que te possam recomendar, e pessoas a quem possas pedir ajuda. Se queres trabalhar num nicho específico, descobre as dores do teu potencial cliente e vende-te como a solução para os seus problemas. Confia no teu valor. Quem reconhecer o teu valor enquanto profissional, pagar-te-á bem, quem não, contratará apenas um amador.

O que carateriza a tua relação com os teus clientes? 

A confiança. Precisas de desenvolver um elevado nível de confiança e entendimento com os teus clientes o mais rapidamente possível para poder prestar todo o apoio que precisam. Estás a começar uma parceria com o teu cliente; é certo que prestas apoio e ajuda, mas nunca deves alimentar uma relação em que possas ser visto como alguém inferior. Tu trazes ao jogo uma quantidade enorme de aptidões e de conhecimento que vão ajudar o teu cliente a desenvolver o seu negócio, e isso merece ser reconhecido.

Segue o trabalho da Emma Crabtree nestes links:

redboxbusinesssupport.com

https://www.linkedin.com/in/emmacrabtree/