5 razões pelas quais as pessoas querem trabalhar por conta própria

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Em novembro dei o meu segundo workshop de Iniciação à Assistência Virtual, desta vez em Lisboa. O que me levou a fazê-lo foi a vontade de ajudar outras pessoas a atingirem a liberdade financeira e de horários que (com bastante trabalho) um negócio próprio pode proporcionar. Especialmente na capital senti de perto a necessidade que muita gente tem de (re)tomar as rédeas das suas vidas.

Vivemos tempos de uma extrema flexibilidade — no bom e mau sentido-, e por isso, algumas pessoas aproveitam a era do “tudo é possível” para apostar num projeto próprio que as ofereça satisfação pessoal e qualidade de vida.

Pelo que vejo em meu redor, muitas pequenas empresas continuam ancoradas no passado, não apenas e relação aos salários (sendo que muitas delas de facto não têm grandes margens para melhorar), mas também quanto à abertura a novos métodos de trabalho, à realidade digital, a formas de colaboração e ferramentas de eficiência. E isso, para nós millenials, é como viver asfixiados, sem o oxigénio da modernidade, como voltar ao século XX em que na verdade nunca trabalhámos — um século que já acabou há 20 anos! Outras grandes empresas podem oferecer melhores condições laborais; contudo, muitas vezes o preço a pagar em termos de disponibilidade é demasiado elevado.

Nos últimos tempos tenho-me deparado repetidamente com casos concretos e motivos, todos eles perfeitamente válidos e humanos, pelos quais as pessoas procuram o auto-emprego. Motivos esses que eu de algum modo intuía, continuam a aparecer com clareza à minha frente, quase como um sinal dos tempos.

Índice

1. REALIZAÇÃO: Chegados à meia idade, queremos trabalhar em algo nosso.

2. QUALIDADE DE VIDA. A correria nas cidades está a tornar-se insuportável.

3. MATERNIDADE. As mulheres vêem-se afetadas laboralmente após o nascimento dos filhos.

4. STRESS: A vida em família sofre com o stress laboral.

5. FINANÇAS. Investir em algo de cujo resultado sejamos totalmente responsáveis.

1. REALIZAÇÃO: Chegados à meia idade, queremos trabalhar em algo nosso.

Se a pessoa tiver a sorte de gostar do que faz, poderá pensar “Se eu crio tanto valor para esta empresa, porque não aproveitá-lo num negócio meu?”. Também há pessoas que, após ter passado décadas a fazer o mesmo trabalho, sentem que está na hora de dar azo à sua criatividade e perseguir os seus sonhos, antes que as rugas lhes impeçam de avançar e pareça demasiado tarde.

Apostar num projeto próprio é sem dúvida desafiante, mas altamente recompensador.

Afinal, a auto-realização está no pico da pirâmide de necessidades de Maslow. A motivação para atingir a nossa melhor versão supera todas as outras.

2. QUALIDADE DE VIDA. A correria nas cidades está a tornar-se insuportável.

Os custos de vida (rendas, transportes, alimentação, etc.) têm vindo a aumentar especialmente nas cidades, sem que os salários tenham acompanhado. Demasiadas horas (das poucas disponíveis) passadas no escritório, nos engarrafamentos e até nos centros comercias destroem boa parte da qualidade de vida de muitas pessoas que apreciam viver mais calmamente.

Quando trabalhamos por conta própria e de modo remoto, passamos a ser donos do nosso tempo. Podemos dar-nos ao luxo de parar para respirar, dar uma caminhada ou trabalhar quando somos mais produtivos. Mesmo que se ganhe algo menos, costuma haver consenso em relação a essas possibilidades traduzirem-se em qualidade de vida.

3. MATERNIDADE. As mulheres vêem-se afetadas laboralmente após o nascimento dos filhos.

Nem venho aqui falar de políticas de conciliação laboral (que sabemos que são praticamente inexistentes). Mas o certo é que ter filhos supõe uma travagem de emergência na carreira de qualquer mulher. Não se trata apenas do parto e o puerpério. São as noites eternas sem dormir, os desafios da amamentação, a extrema e natural dependência dos filhos durante os dois primeiros anos de vida, as inúmeras consultas e o esgotamento derivado disso tudo… Se é pai/mãe, sabe muito bem do que falo.

As mulheres que decidem voltar a trabalhar logo que acaba a baixa sentem-se culpadas por não estarem ao pé dos seus bebés (os quais biologicamente não estão preparados para isso!). Quem decide deixar o emprego de forma voluntária para se dedicar à família (até porque pode não compensar em termos económicos pagar uma creche/ama/empregado de limpeza, etc.) acaba por sentir-se sozinha, frustrada e economicamente dependente. Evitar passar por isto foi um dos grandes motivos que me fez avançar no meu projeto.

Em ambos os casos, ter um negócio próprio que proporcione satisfação pessoal e que, pelo menos, consiga pagar algumas contas, pode ser uma boa solução para os primeiros tempos da maternidade.

4. STRESS: A vida em família sofre com o stress laboral.

Sair do escritório, passar pelas compras, ir buscar os filhos, levá-los às atividades, chegar a casa, fazer jantar, tratar da roupa, acompanhar os trabalhos de casa, dar banhos, arrumar, e ainda com emails que ficaram por responder,… é o dia-a-dia de muitas famílias vivem contra-relógio.

Eu questiono: que tipo de relação se cria com os filhos quando os pais não têm tempo para descontrair? Há tempo e disposição para a brincadeira, para as refeições com conversa, para passear e apanhar ar fresco todos juntos? Julgo que, se houver stress, é quase impossível. E os horários das empresas são clara e absolutamente incompatíveis com a família.

Mesmo os casais sem filhos, será que podem relaxar um pouco e investir em tempo a dois —sem olhar para os emails? E até as pessoas que moram sozinhas… conseguem deixar de trabalhar, seja em casa, seja no escritório? — A verdade é que a pressão do trabalho absorve toda a gente, quem tem muitas outras responsabilidades e quem tem não as tem.

Na realidade, quando se tem um negócio próprio não se trabalha menos, antes pelo contrário, diria que normalmente se trabalha-bem mais!

A grande vantagem de sermos donos do nosso negócio reside em termos a flexibilidade de trabalhar quando é mais conveniente para nós!

Esse “quando” pode ser sempre, ou apenas umas horas por dia, ou sobretudo à noite, ou aquilo que melhor se ajustar ao nosso estilo, se soubermos criar um negócio à nossa medida.

5. FINANÇAS. Investir em algo de cujo resultado sejamos totalmente responsáveis.

Em último lugar, mas não por isso menos importante. A menos que se trabalhe para uma multinacional com um excelente salário, prémios de produtividade e outras regalias, a maior parte das pessoas precisa e deseja maiores recompensa pelo seu esforço.

Se bem não é fácil chegar a um patamar em que estejamos 100% confortáveis, o caminho de lutar pela nossa própria abundância é muito mais enriquecedor e estimulante do que quando trabalhamos em projetos alheios.

Se o negócio for apenas nosso, nós somos os últimos responsáveis pelos nossos resultados: poderá haver melhor motivação para, de manhã, saltar da cama cheios de vontade de fazer acontecer?

Atenção: isto é uma faca de dois gumes. Há dias bons, dias maus e dias muito maus. Ser empreendedor é uma montanha russa de medos e euforias. É aprender a conviver entre os piores pesadelos e os sonhos mais doces, entre as possíveis dívidas e os potenciais projetos, em que não dá para esmorecer, porque tens as Finanças, os teus fornecedores e a Segurança Social a pisar-te os calcanhares, e tens de ser mais rápido, muito mais rápido do que eles para ganhar a corrida. É ser maratonista e fazer bons sprints. É ser resiliente ou desistir.

Uma coisa é certa: se não participas e não treinas, se não cais e te levantas, NUNCA vais ganhar a corrida!

Partilha comigo: que mais fatores estimulam as pessoas a lançar os seus projetos?
Artigo originalmente publicado em: http://mlsoluciona.com/pt/5-razoes-pelas-quais-as-pessoas-querem-trabalhar-por-conta-propria/